domingo, 23 de fevereiro de 2014

Agendas

 
Eu era fascinado por agendas. Agendas impressas, onde marcamos os compromissos, fazemos anotações. Tinha apenas sete anos de idade e achava muito bacana os mapas, hinos nacionais, bandeiras que acompanhavam as agendas. Esse modelo ainda era herança do momento político que o Brasil atravessou.

Provável que tenha adquirido a primeira agenda na Escola Dinâmica, onde eles forneciam obrigatoriamente aos alunos, ao menos em 1989. Era introduzida por um texto, na época longo, que falava sobre a vida escolar. Assinado provavelmente por Marshall Mcluhan, o autor finalizava declarando que o desejo da escola, acima de tudo, era de que o aluno encontrasse um amigo(a). 

Aquele texto me marcou profundamente. Era diferente do que estava acostumado a ouvir sobre a escola. E desde aquele dia pensei que aqueles anos, aqueles longos anos, poderiam de fato significar algo.
 
Acho que na escola não encontrei o tão procurado amigo(a). Amigo(a) no sentido de remeter à amizade. Amizade como confidência, desenvolvida a partir de muita confiança e fidelidade.  Status difícil de ser atingido, diferente ou superior ao mero vínculo familiar, à relação afetivo-carnal entre dois seres humanos.

Ainda assim, umas duas décadas depois, acabei encontrando esse amigo(a). Mcluhan estava certo. Ele nunca disse que seria na escola que eu o(a) encontraria. E ele me fez procurar. 

Obrigado.

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