O mar constitui para o ilhéu personagem importante de sua história.
Enterrando meus pés nas areias de Desterro fito o oceano, com olhar exigente.
Observo que "só o mar das outras terras é que é belo, aquele que nós vemos dá-nos sempre saudades daquele que não veremos nunca"1.
As gotículas da costa teimam, persistentes, sob minha face. Viro à minha direita, à minha esquerda. Reconheço ao longe Mario de Sá-Carneiro, a quem invejo o prazer de sofrer e de ser privado.
Ele me diz que "é um mal de que se gosta, e um bem que se padece".
Havia outras pessoas e eu, imediatamente "olho em volta de mim. Todos possuem um afecto, um sorriso ou um abraço. Só para mim as ânsias se diluem e não possuo mesmo quando eu enlaço."2
Eis que me aparece Gabriel Garcia Marques, mexicano de muito bom humor. Fez 87 anos em 06/03/2014, tal como o seria a Velha Senhora. Gentil, ofereceu-me 100 anos de sua maior realização.
Não sabia ele que "não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."3
Uma lufada de ar agride meu rosto, vinda do atlântico, revelando o óbvio.
Saudade, lusitana saudade.
1 Fernando Pessoa (O Marinheiro)
2 Mario de Sá-Carneiro (Como eu não possuo)
3 Fernando Pessoa (Álvaro de Campos - tabacaria)
obs: este texto buscou inspiração a partir de uma conversa com uma nova amiga.
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