Resolvi assistir aquela que foi, provavelmente, a última produção para os cinemas dos Cavaleiros do Zodíaco: Prólogo do Céu (2004). A abordagem do filme é bastante diferente dos demais capítulos do anime. É possível perceber uma preocupação em não repetir os diálogos extensos, os clichês anteriores.
Prólogo do Céu toma o cuidado de colocar, de forma surpreendentemente verossímil, a diferença entre os deuses e os seres humanos. Ou seja, os cavaleiros não poderiam, impunemente, enfrentar tais entidades - como o fizeram ao longo de toda a série. Se os deuses realmente existissem, se os cavaleiros realmente existissem, os cavaleiros seriam punidos, e sem grandes dificuldades. Saori não seria Saori, como insistentemente Ela sempre foi caracterizada. Saori seria Atena e fica evidente a magnitude de Seu poder. Os cavaleiros A defendem, mas o poder deles não é maior do que a da Deusa da Guerra.
Contudo Prólogo do Céu não consegue se desvencilhar daquilo que, embora sempre subentendido, foi a essência dos Cavaleiros do Zodíaco: a relação de Seyia por Saori, que transcende a divindade Atena, ou a Constelação de Pégaso. Ao mesmo tempo que a película nos inquieta ao nos colocar em um mundo mais realista, com deuses de fato poderosos, por outro ainda preserva uma ingenuidade, esta necessária: Seiya luta não por devoção à Atena, mas por amor à Saori. Contudo o final nos revela, de modo cruel, que não existe espaço para este tipo de sentimento em um mundo governado de fato por deuses.
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