quarta-feira, 5 de março de 2014

Razão Brasileira


Em 1993 a tecnologia do compact-disc ainda era muito recente. Tanto que em 1992 ainda mexia nos velhos vinis de música clássica, herdados de meu tio paterno mais novo - aquele, um tal de Coutinho, que hoje só quer saber de gatos e de prever o tempo.

Pois bem, em 1993 tive contato, por meio da minha tia, com o primeiro tocador de cd´s. Ela com a velha mania de comprar bugigangas no camelô, mas admito que, naquela vez, ela tinha acertado.

Coisinha incrível aquele aparelho. Discos que pareciam metal, você podia passar faixa por faixa, segundo por segundo, sem um chiado sequer. Era um avanço talvez maior que àquele proporcionado pelo DVD.

Não sei por que, o aparelho veio acompanhado do CD de um desconhecido Razão Brasileira. Eu acostumado com música clássica, Debora Blando, Roxette, achava aquilo um pouco estranho. Mas o entusiasmo pelo novo era mais forte. Dizem que música é mais do que som, é cheiro, memória. Ouvindo hoje Razão Brasileira:  "E lá vou eu / Enfeitiçado na minha razão / Te conhecer bateu tão forte no meu coração / Chegou e despertou meus sentimentos / Me trouxe bons momentos e a paz" (Quem é você?) me soa familiar.

É como se, de algum modo, estivesse na rede, naquele verão de 1993/1994. Um aparelho que não existe mais, um CD que não existe mais, uma casa que não existe mais, a velha senhora que não existe mais.

Tenho que almoçar com a minha tia.

Obs: texto inspirado na audição do álbum "Razão Brasileira", de 1993. Aquele do "Eu menti, quando disse que não te queria, quando disse que minha alegria, era viver longe de você."

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